Parentes lamentam regras de prevenção ao coronavírus para sepultamentos em Maceió: ‘Pior parte é não poder se despedir’

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Família de uma idosa que faleceu com suspeita de Covid-19 gravou vídeo para mostrar o enterro, que precisa ser com caixão lacrado e número reduzido de pessoas. Sepultamento do corpo de uma paciente que morreu com suspeita de Covid-19 em Maceió
A pandemia do novo coronavírus afetou a forma que nós nos relacionamos com familiares e amigos, como trabalhamos, fazemos compras e até os ritos tradicionais para velório e enterro. Em Maceió, pessoas que morreram por Covid-19 ou que ainda aguardavam resultado do teste devem ser sepultadas seguindo critérios rigorosos.
Segundo o decreto de emergência da prefeitura, em casos de mortes por causa do coronavírus, até em casos suspeitos, a duração máxima é de uma hora por velório e enterro, com o caixão fechado e limite de dez pessoas. No caso de óbitos por outras causas, a duração máxima é de três horas com a presença de 20 pessoas – para evitar aglomeração.
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Na quinta-feira (9), os parentes de uma idosa de 62 anos que faleceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, com suspeita de coronavírus, tiveram que sepultá-la seguindo as novas regras. Eles pediram para não ser identificados, mas cederam ao G1 um vídeo que gravaram do sepultamento (assista acima).
“A pior parte é não poder se despedir dela. O resultado desse exame poderia sair na hora e não deixar a família na expectativa, esperando tantos dias. A gente nem sabe mesmo se foi por coronavírus. E se não foi e a família não pôde se despedir? Como fica a família?”, lamentou uma sobrinha da idosa que faleceu.
No atestado de óbito dela consta “morte por Síndrome Respiratória aguda grave e suspeita de Covid-19″. O sepultamento aconteceu no Parque Memorial Benedito Bentes, com os funcionários da funerária usando roupas especiais para evitar risco de contaminação pelo coronavírus.
O G1 entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que informou que depois que o exame é feito, é encaminhado para teste no Laboratório Central do estado. Após a testagem, o resultado sai em 48 horas, mas a prioridade é para casos de pacientes em estado grave.
De acordo com a Sesau, a causa da morte da idosa ainda está em investigação, assim como todos os outros casos suspeitos no estado.
Enterro de idosa com suspeita de Covid-19 em Maceió, AL
Arquivo Pessoal
Segundo a família da idosa que faleceu, ela tia tinha histórico de transtornos psiquiátricos e depois de um surto foi levada para a Casa de Saúde Ulysses Pernambuco e, de lá, encaminhada para a UPA do Trapiche.
”Ela deu entrada na UPA com a glicose muita alta e a pressão muito baixa e veio a falecer. E assim que ela faleceu foram dizendo que foi por causa do coronavírus. A gente não soube se foi realmente por coronavírus a morte dela”, disse a sobrinha.
Alagoas registrou até sexta (10) três mortes por Covid-19, todos idosos, mas dois deles também estavam internados na Upa do Trapiche quando faleceram.
Por meio da assessoria de comunicação, a UPA do Trapiche esclareceu que coleta uma amostra do paciente e a enviam ao Lacen, que fica responsável pela testagem. O resultado é enviado para a unidade, que informa a família.
Além da dor de perder um parente, fica o drama de não poder se despedir, já que o número de pessoas por sepultamento é limitado.
“Foi muito triste porque só podiam entrar 10 pessoas no cemitério. As 10 pessoas entraram e eu, como fiquei por último, não pude entrar. As pessoas que estavam dentro do cemitério não puderam se aproximar do caixão, minha tia, irmã dela, pediu para vê-la pela última vez, mas nem vidro no caixão deixaram. Nem isso a gente pôde”, lamentou a parente da idosa.
Enterro de idosa com suspeita de Covid-19 em Maceió, AL
Arquivo Pessoal
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